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Mães com uma característica em comum: o amor pelo esporte

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Inahiá realizando voo na Serra da Canastra /Foto: Inahiá Castro.

Por Jefferson Cruz

No Brasil, hoje é celebrado o dia das mães e não esqueceríamos esta data tão especial. São elas, que nos momentos bons ou ruins, se fazem presentes, nos encorajando para seguir em frente, com força, garra e determinação. E como nossas heroínas, as mães de nossa reportagem fogem dos padrões convencionais.

Neste dia dedicado à elas, apresentaremos histórias de três mães com uma característica em comum: o amor pelos esportes radicais. A mãe do João Pedro, de 13 anos é uma delas. A jornalista Inahiá Castro, 51 anos é praticante de voo livre há mais de 26 anos e adora andar de bicicleta, mas a modalidade que a conquistou foi o parapente. “Sempre tive vontade de voar, desde pequena. Quando eu tinha 21 anos, fiz paraquedismo, mas o esporte é caro e eu não consegui manter uma boa frequência. Aos 25 anos conheci a modalidade, quando o esporte estava começando no Brasil, e me apaixonei”.

A jornalista Inahiá Castro, antes da decolagem, em Andradas /Foto: Inahiá Castro

Adepta do paraquedismo, Inahiá afirma que já voou para vários lugares do país, mas os locais preferidos para saltar são as cidades de Andradas, em Minas Gerais e São Pedro, em São Paulo. “Ambas têm outros atrativos turísticos, sendo o voo livre um dos principais”.

Outra jornalista que gosta de aventuras é Silvia Rossetto, 50 anos. A mãe da Fernanda, de 11 anos, afirma que antes do nascimento da filha trabalhava para poder realizar suas viagens, mas agora divide seus rendimentos também na educação da filha. Rossetto afirma ainda que as modalidades que praticou estavam ligadas à natureza e à montanha, mas já fez de tudo um pouco.

Placa de início da escalada do Monte Fuji, Japão / Foto: Silvia Rossetto
Silvia e Fernanda Rossetto / Foto: Silvia Rosetto

“Adorava acampar, fazer trekking e mountain bike, até que um amigo me convidou para fazer um curso de alpinismo, quando tínhamos uns 20 e poucos anos. Também já fiz mergulho, saltei de paraquedas – uma vez para nunca mais – e voei de balão. Cheguei a participar de duas competições de corridas de orientação, mas de forma completamente amadora, conhecendo apenas o básico do uso da bússola. Fiz uma travessia de caiaque durante 7 dias na Patagônia e pretendo repetir, levando minha filha. Uma atividade que ela curte muito é o arvorismo. Existe um circuito muito legal no Horto Florestal em Campos do Jordão”.

A cozinheira Magnólia Simone Fernandes, 56 anos, mãe do Victor, Michael, Leandro, Rebeka, Rachel e Rhaiza prefere o rapel. “Um amigo me levou para conhecer e me apaixonei, foi amor à primeira descida. Aqui no Brasil, pratico em São Paulo, na ponte da estação Sumaré, próximo ao metrô, mas fazemos também em outros estados, cachoeiras, pedreiras desativadas, prédios e em diversos lugares”.

Magnólia no pêndulo se preparando para pular /Foto: Magnólia Fernandes

 

Magnólia fazendo rapel em Sumaré, São Paulo / Foto: Magnólia FernandesApesar da modalidade ser considerada perigosa, Fernandes afirma que o esporte é realizado com segurança. “Quando estamos começando temos um treinamento e nunca descemos sozinhos. Ficamos sempre imobilizados até termos certeza que estamos prontos e cientes do que devemos fazer”.

Já Rossetto lembra que apesar do grau de risco, existem equipamentos de segurança e treinamento para minimizar os possíveis problemas. “Como qualquer atividade física é preciso buscar condicionamento adequado. No caso do alpinismo é importante realizar um curso, buscando referências sobre a instituição e também do professor. Existem vários alpinistas profissionais que dão cursos; alguns focam mais a escalada indoor, outros preparam o aluno de uma maneira mais ampla, para escalar em rocha. O curso que fiz há muitos anos foi no CAP, mas até hoje existe esta formação, que é o primeiro passo. Depois dele, existem vários outros cursos interessantes para se realizar, incluindo instruções de navegação, de meteorologia, de nutrição e, claro, de aperfeiçoamento técnico”.

Inahiá ao lembrar do paraquedismo afirma que o esporte pode ser praticado com segurança, mas “os acidentes não acontecem por causa do esporte, mas por imperícia de pessoas que praticam o esporte de maneira arriscada”, lembra.

Uma nova geração começa a acompanhar os passos de suas mães. O filho de Inahiá, ao ver a mãe como exemplo, está sempre presente nos saltos de parapente e torce por ela. “Ele me incentiva muito e fica super feliz quando eu voo. Eu adoro quando ele está na rampa comigo e grita “bom voo, mãe” na hora que eu decolo”.

A filha de Rossetto é outra que também apoia sua mãe e, apesar de gostar de artes, curte os esportes de montanha. “Além de mim, vários amigos meus são ligados aos esportes e o padrinho dela é um super escalador. Não teria como não ter levado a pequena em diversas viagens e aventuras. Ela curte que eu pratique e gosta de estar junto. Algumas vezes ela não quer escalar, mas fica junto na base da pedra”.

Apenas os filhos de Fernandes não são adeptos do rapel, mas a incentivam. “Meus filhos são todos adultos, a caçula já vai fazer 18 anos, então ficam em casa mesmo”.